Nódulo de tireoide: quando devo me preocupar?
Descobrir um nódulo na tireoide é uma situação muito comum e que
frequentemente causa preocupação. Uma das primeiras perguntas que surgem
após o resultado do ultrassom é: “Isso pode ser câncer?”
A boa notícia é que a maioria dos nódulos da tireoide é benigna. Segundo a
American Thyroid Association, mais de 90% dos nódulos tireoidianos não são
câncer. Entretanto, alguns apresentam características que precisam ser
investigadas.
Por isso, encontrar um nódulo não significa necessariamente precisar de
cirurgia. O mais importante é realizar uma avaliação adequada para identificar
quais nódulos precisam apenas de acompanhamento e quais necessitam de
investigação adicional.

O que é um nódulo de tireoide?
A tireoide é uma glândula localizada na região anterior do pescoço e
responsável pela produção de hormônios importantes para o funcionamento do
organismo.
Um nódulo é uma alteração localizada dentro da glândula. Ele pode ser único
ou múltiplo, sólido, cístico ou apresentar características mistas.
Muitos nódulos são encontrados por acaso durante ultrassonografias,
tomografias ou outros exames realizados por motivos completamente
diferentes.
Além disso, é importante saber que os exames hormonais, como TSH e T4
livre, podem estar normais mesmo na presença de um câncer de tireoide.
Por isso, a avaliação de um nódulo não deve ser baseada apenas nos exames
de sangue.
Quando um nódulo de tireoide pode ser preocupante?
Algumas características aumentam a necessidade de investigação.
Entre elas estão:
características suspeitas no ultrassom;
crescimento significativo do nódulo;
presença de linfonodos suspeitos no pescoço;
alteração da voz sem outra explicação;
dificuldade para engolir ou respirar;
história de exposição à radiação na região da cabeça e pescoço;
histórico familiar de determinados tipos de câncer de tireoide.
Entretanto, nenhum desses fatores deve ser analisado isoladamente.
O que significa TI-RADS?
Ao realizar um ultrassom da tireoide, muitos pacientes encontram no laudo
expressões como:
TI-RADS 2, TI-RADS 3, TI-RADS 4 ou TI-RADS 5.
O TI-RADS é um sistema utilizado para classificar os nódulos de acordo com
suas características ultrassonográficas.
De maneira simplificada, quanto maior a categoria, maior o grau de suspeição
apresentado pelo nódulo.
Isso não significa, porém, que um TI-RADS 5 seja automaticamente um
câncer.
O resultado do ultrassom serve para estimar o risco e ajudar o médico a decidir
se o nódulo deve ser acompanhado ou submetido à punção.
Quando é necessário fazer PAAF?
A PAAF — punção aspirativa por agulha fina — é um exame realizado para
retirar células do nódulo e analisá-las ao microscópio.
A indicação depende principalmente de dois fatores:
1. Características do nódulo no ultrassom
2. Tamanho do nódulo
Portanto, nem todo nódulo precisa ser puncionado.
Um nódulo pequeno e de aspecto pouco suspeito pode ser acompanhado,
enquanto outro com características ultrassonográficas mais preocupantes pode
necessitar de investigação.
O que significa Bethesda na PAAF?
Após a PAAF, o resultado costuma ser classificado pelo Sistema Bethesda,
dividido em seis categorias.
De forma simplificada:
Bethesda I: material não diagnóstico.
Bethesda II: resultado benigno.
Bethesda III: alterações celulares indeterminadas.
Bethesda IV: suspeita de neoplasia folicular.
Bethesda V: suspeito para malignidade.
Bethesda VI: maligno.
Os Bethesda III e IV são chamados de resultados indeterminados porque a
análise das células, isoladamente, muitas vezes não consegue definir com
certeza se o nódulo é benigno ou maligno.
A conduta nesses casos pode envolver nova punção, avaliação molecular,
acompanhamento ou cirurgia, dependendo das características de cada
paciente.
Nódulo benigno precisa ser operado?
Nem sempre.
Nódulos benignos geralmente podem ser acompanhados, principalmente
quando são pequenos e não provocam sintomas.
Entretanto, mesmo um nódulo benigno pode ter indicação de tratamento
quando apresenta crescimento importante ou provoca sintomas compressivos,
como:
sensação de pressão no pescoço;
dificuldade para engolir;
dificuldade respiratória;
desconforto cervical;
alterações estéticas importantes.
A indicação deve ser individualizada.
Quando a cirurgia da tireoide é indicada?
A cirurgia pode ser recomendada em diferentes situações, como:
câncer de tireoide confirmado;
forte suspeita de câncer;
determinadas citologias indeterminadas;
nódulos volumosos ou progressivamente crescentes;
sintomas compressivos;
alguns casos de hipertireoidismo;
bócios volumosos ou mergulhantes.
Quando a cirurgia é indicada, outra decisão importante é determinar se será
realizada uma tireoidectomia parcial, retirando apenas um dos lobos, ou uma
tireoidectomia total.
Essa decisão depende do diagnóstico, tamanho e localização da doença,
características do tumor, presença de nódulos no outro lobo e fatores
individuais do paciente.
Descobri um nódulo. O que devo fazer?
O principal é não interpretar apenas uma informação isolada do laudo.
O tamanho do nódulo, classificação ultrassonográfica, exames laboratoriais,
resultado da PAAF, idade, sintomas e exame do pescoço devem ser avaliados
em conjunto.
Na maioria das vezes, o nódulo será benigno e poderá ser acompanhado. Nos
casos suspeitos, uma investigação adequada permite definir a melhor
estratégia de tratamento.
Avaliação na OTOCAP
A OTOCAP conta com atendimento especializado em Otorrinolaringologia e
Cirurgia de Cabeça e Pescoço, incluindo investigação e tratamento de
doenças da tireoide e tumores cervicais.
Se você recebeu um ultrassom mostrando um nódulo de tireoide, um resultado
de PAAF ou tem indicação de cirurgia, uma avaliação especializada pode
ajudar a definir os próximos passos.
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